Responsável pelo Arquivo Paulo Renan de Almeida

 
           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SÍNTESE DE ALGUNS DOS FATOS MAIS MARCANTES DA VIDA

DE JOÃO BAPTISTA LUSARDO

 
 Manoel Bogado*

 


Na Revolução de 1923 - Homem dotado de personalidade forte, culto, humanista e idealista, Lusardo sedimentara seu caráter prestando serviços como médico sanitarista, convivendo com todo tipo de doenças e mazelas humanas da época, o que lhe propiciou valiosos ensinamentos. Como advogado, conhecia as leis, mas também reconhecia sua ineficácia para melhorar a qualidade de vida do povo e gerar desenvolvimento econômico, em níveis municipal, estadual e federal, devido à incompetência, autoritarismo e injustiças praticadas pelos governos da época, o que fez brotar em sua consciência de homem livre uma profunda insatisfação e revolta com tal situação.
 
Em setembro de 1922, esteve prestes a se bater em duelo com José Antônio Flores da Cunha, líder do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) na região e na época intendente (prefeito) de Uruguaiana, que o desafiou, para depois recuar, em função de críticas contundentes que Lusardo fizera à sua administração, através da imprensa. O duelo não se realizou, mas Lusardo compareceu ao lugar marcado, no dia e hora combinados, fato que deu-lhe enorme prestígio em toda a fronteira e foi comentado nos quatro cantos do Estado, fazendo com que passasse a ser visto como uma liderança nascente dentre os libertadores. Combateu, também, a tentativa do principal líder estadual do PRR, Antonio Augusto Borges de Medeiros, de reeleger-se pela quinta vez consecutiva ao governo estadual, apoiando o candidato de oposição, Joaquim Francisco de Assis Brasil. Com a vitória de Borges de Medeiros, participou da articulação de uma revolta contra sua posse, deflagrada em janeiro de 1923, incorporando-se às tropas comandadas pelo caudilho Honório Lemes, cuja coluna concentrou suas operações na região fronteiriça com o Uruguai, praticando a guerra de guerrilhas e enfrentando os efetivos legalistas chefiados por Flores da Cunha, mais numerosos e melhor armados. Em julho, Lusardo foi designado chefe do estado-maior das forças revolucionárias e participou de todos os combates importantes na zona norte do estado, como os de Ibirapuitã, Vista Alegre, Ponche Verde, Quaraí, São Francisco de Assis e São Luís. Enquanto se desenrolavam os combates, favoráveis na maioria aos legalistas, o governo federal, preocupado com a situação, iniciou gestões no sentido de pacificar a política gaúcha. No final do ano, convidado por Assis Brasil e Honório Lemes, Lusardo participou das negociações de paz que levaram à assinatura do Pacto de Pedras Altas, exercendo importante papel no sentido de convencer os chefes militares rebeldes, que insistiam em continuar lutando. Por este acordo, os maragatos – como eram apelidados os rebeldes – aceitavam a posse de Borges de Medeiros que, por sua vez, comprometia-se a não buscar nova reeleição. Cabe assinalar, como índice da magnitude da Revolução de 1923, que desde então ficou proibida a reeleição de governadores no Rio Grande do Sul, reformando-se um artigo da Constituição Estadual. NOTA : A reeleição para cargos do Poder Executivo entrou em vigência no Brasil em 1998, após aprovação da Emenda Constitucional no. 16, de 04/07/97. Fernando Henrique Cardoso foi o primeiro presidente reeleito (01/011995 a 01/01/2003) no chamado modelo americano, com dois mandatos consecutivos. Luiz Inácio Lula da Silva, foi o segundo (01/01/2003 a 01/01/2011). Rodrigues Alves (1902-1906, faleceu antes de tomar posse no segundo mandato) e Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954, suicidou-se) também foram reeleitos, mas com mandatos intercalados .
 
Após a pacificação do estado, Lusardo voltou a clinicar, mas sua participação revolucionária aumentara sua popularidade e prestígio. Em janeiro de 1924, quando as oposições gaúchas realizaram o congresso de São Gabriel – durante o qual foi fundada a Aliança Libertadora (que mais tarde se transformaria no Partido Libertador), sua presença como delegado de Uruguaiana foi alvo de muitas manifestações de simpatia. O congresso escolheu sete candidatos a deputado federal, dos quais apenas Lusardo representava a corrente de oposição radical ao presidente Artur Bernardes, estando os demais propensos a apoiá-lo. Considerando sua eleição garantida, Lusardo integrou uma comissão que percorreu diversas localidades gaúchas reforçando a campanha dos outros candidatos. Realizado o pleito, foi o mais votado entre os libertadores eleitos à Câmara dos Deputados.
 
Como porta-voz dos revolucionários da Coluna Prestes - Em maio de 1924 Lusardo transferiu-se para o Distrito Federal e na Câmara caracterizou-se por intransigente oposição ao governo federal, votando contrariamente à decretação do estado de sítio pedida e obtida por Artur Bernardes para combater o levante militar deflagrado no dia 5 de julho desse ano. Irrompida em Sergipe, Amazonas e São Paulo, a revolta foi dominada rapidamente nos dois primeiros estados, mas em São Paulo os rebeldes comandados por Isidoro Dias Lopes, ocuparam a capital durante três semanas, abandonando-a após para deslocar-se para o interior. Valendo-se das imunidades parlamentares, Lusardo era, na Câmara o divulgador das atividades e reivindicações dos revolucionários. Durante um intervalo das atividades parlamentares, reuniu em sua residência, em Uruguaiana, 17 representantes de guarnições militares sediadas no RS, dentre os quais Luis Carlos Prestes, que tentavam articular um levante em apoio ao movimento desencadeado em São Paulo. Esse levante seria afinal deflagrado em outubro.
 
De volta à Câmara, no Rio de Janeiro, Lusardo se engajou na conspiração liderada pelo capitão-de-mar-e-guerra Protógenes Guimarães, com o objetivo de sublevar a Esquadra e depor Artur Bernardes em apoio aos rebeldes paulistas e gaúchos. Lusardo foi incumbido da prisão do vice-presidente da República, Estácio Coimbra. Contudo, Protógenes foi preso antes da deflagração do movimento, prevista para o dia 21 de outubro de 1924, e Lusardo não chegou a cumprir a missão. Em fevereiro de 1925, como membro da oposição, Lusardo foi convidado pelo deputado João Simplício, emissário do presidente Artur Bernardes, a participar de negociações de paz com os revolucionários paulistas que se haviam concentrado no Sul, e com os gaúchos. Em março, os dois parlamentares se reuniram com o general Isidoro Dias Lopes, na cidade argentina de Posadas, mas não foi possível nenhum acordo, pois as propostas do governo foram consideradas muito vagas. Um mês depois, as forças revolucionárias paulistas e gaúchas se juntaram, sob a liderança de Luís Carlos Prestes e de Miguel Costa, formando a Coluna Miguel Costa-Prestes, que percorreria o interior do país através de 13 estados, combatendo as tropas legalistas até internar-se na Bolívia e no Paraguai, no início de 1927.
 
A Coluna Prestes teve em Lusardo seu único divulgador e defensor na Câmara dos Deputados. O jornal O Globo, recém fundado e opositor do governo federal, reproduzia em suas páginas os discursos em que eram transmitidas informações relativas às atividades dos revolucionários, fornecidas pelos próprios a Lusardo. Em maio de 1925, novamente oficiais identificados com os levantes revolucionários tentaram depor Artur Bernardes, e Lusardo deveria efetuar a prisão do vice-presidente Estácio Coimbra. No entanto, o assalto ao 3º. Regimento de Infantaria do Rio Janeiro foi rechaçado, resultando na morte de um tenente rebelde. Lusardo e outros parlamentares foram presos, mas em pouco tempo obtiveram a liberdade, por interferência do ministro da Justiça, Afonso Pena Júnior. Lusardo manteve-se na oposição ao presidente Artur Bernardes até o fim de seu governo.
 
Com a ascensão de Washington Luís à presidência da República em 1926 e a extinção do estado de sítio que marcou o governo anterior, Lusardo adotou uma posição mais moderada. No entanto, permaneceu como porta-voz dos revolucionários na Câmara, especialmente na discussão acerca da concessão da anistia política. Reeleito pela Aliança Libertadora em maio de 1927, manifestou-se em agosto, juntamente com outros parlamentares, contra um projeto de lei de autoria de Aníbal Toledo que, a pretexto de combater o comunismo, restringia a liberdade de pensamento. Participou, nessa época, de vários comícios com Joaquim Francisco de Assis Brasil, Irineu Machado, Maurício de Lacerda, Otávio Brandão, do então Partido Comunista do Brasil (PCB), e outros, e integrou também o Núcleo de Defesa dos Princípios Constitucionais, formado, segundo o manifesto de lançamento, "por elementos esquerdistas da imprensa, do Parlamento, das profissões liberais, do funcionalismo, do comércio, da indústria, da lavoura, do trabalho e do ensino secundário e superior" para a "salvaguarda dos preceitos constitucionais". O Núcleo se engajou na luta contra o projeto de Aníbal Toledo que, a despeito da campanha oposicionista, acabou sendo aprovado vindo a ser conhecido como " Lei Celerada".
 
Ainda durante o segundo semestre de 1927, alguns grupos de oposição estaduais iniciaram articulações visando uma atuação conjunta. Lusardo foi indicado por Assis Brasil para manter a ligação entre os libertadores e o recém-fundado Partido Democrático (PD) paulista. Em março de 1928, a Aliança Libertadora transformou-se no Partido Libertador (PL) por decisão do Congresso de Bagé, com Assis Brasil na presidência, Raul Pilla na vice-presidência e Lusardo participando do diretório central. O PL nascia ligado ao Partido Democrático Nacional (PDN), federação de oposições estaduais criada por iniciativa de Assis Brasil nesse mesmo ano.
 
Na Aliança Liberal - Enquanto os grupos oposicionistas intensificavam suas articulações visando as eleições para a sucessão de Washington Luís, marcadas para março de 1930, no Rio Grande do Sul o PL e o PRR se aproximaram ao longo do ano de 1928, graças à eleição para presidência do estado (em novembro de 1927) do republicano Getúlio Vargas, considerado mais "liberal" do que a "velha guarda" comandada por Borges de Medeiros. Na Câmara, porém, libertadores e republicanos, por vezes, atuavam de maneira desencontrada diante do problema sucessório. Na sessão de 12 de junho de 1929, por exemplo, o senador fluminense Feliciano Sodré pronunciou-se contra as candidaturas de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e de Getúlio Vargas, já lançadas por iniciativas isoladas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Na sessão seguinte, Lusardo respondeu a Feliciano Sodré protestando contra a exclusão do republicano Borges de Medeiros da lista de possíveis candidatos. Imediatamente, foi aparteado por João Neves da Fontoura, do PRR, que alegou ser desnecessário o protesto do líder libertador, já que Borges não era candidato e nem caberia ao Rio Grande do Sul apontar nomes, mas sim aprovar aqueles indicados pela nação. A partir daí, em grande parte pela iniciativa de Lusardo, o debate acerca da sucessão presidencial se avolumou, tanto na Câmara quanto na imprensa.
 
Ainda em junho de 1929, os líderes do Partido Republicano Mineiro (PRM) Afrânio de Melo Franco e Antonio Carlos entraram em contato com Plínio Casado e Lusardo, solicitando o apoio do PL à candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República, já que o governo federal insistia em lançar o nome do paulista Júlio Prestes, rompendo, assim, um dos acordos tácitos fundamentais da política até então em vigor, pelo qual o próximo presidente deveria ser mineiro. Consultada, a direção máxima do PL aceitou o acordo, exigindo em troca a inclusão dos principais pontos de seu programa partidário na plataforma de Vargas. O PRR e o PL formavam, dessa maneira, a Frente Única Gaúcha (FUG), voltada para a eleição de um gaúcho à sucessão de Washington Luís. Nesse mesmo mês de junho, a FUG e o PRM firmaram um pacto, inicialmente secreto, em torno da candidatura de Vargas, recebendo a adesão da Paraíba, cujo presidente, João Pessoa, foi lançado candidato à vice-presidência da República.
 
No dia 31 de julho, o diretório central do PL reuniu-se em Bagé-RS, oficializando o seu apoio ao nome de Vargas e ao movimento que se formava em torno da candidatura gaúcha. Em agosto formou-se a Aliança Liberal, para cuja comissão executiva e Lusardo foi eleito, juntamente com Afonso Pena Júnior, Afrânio de Melo Franco, João Neves da Fontoura, Lindolfo Collor e outros. Em setembro, a Aliança Liberal e o Partido Democrático Nacional (PDN) - cujo diretório nacional Lusardo integrava, como representante do PL-, em convenções, decidiram apoiar a chapa Vargas-João Pessoa. A campanha eleitoral desenvolveu-se durante o segundo semestre de 1929 e Lusardo adoeceu, devido a um problema renal, iniciado ainda em 1923, mas prosseguia a campanha, realizando comícios e contatos políticos, principalmente em Minas Gerais. Na recepção a Vargas no Rio de Janeiro, em 30 de dezembro, Lusardo foi um dos oradores indicados pela Aliança Liberal para discursar das sacadas ao longo da avenida Rio Branco, onde não havia alto-falantes. O discurso que proferiu na ocasião, iniciado com a indagação: " Quem vem lá?", tornou-se célebre peça de oratória.
 
Em janeiro de 1930, Lusardo partiu para o Norte, numa das caravanas organizadas pela Aliança Liberal, juntamente com diversos companheiros, cabendo a Lusardo chefiar o grupo que percorreria o interior de Pernambuco e os estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão, mas as comitivas aliancistas enfrentaram sérios problemas criados pelas forças situacionistas, que provocaram conflitos, muitas vezes violentos.
 
Realizadas afinal as eleições, saiu vitoriosa a chapa Júlio Prestes-Vidal Soares. A derrota dos candidatos da Aliança Liberal fez com que se intensificassem as articulações já iniciadas por setores que, embora participando da campanha, não acreditavam na possibilidade de vitória da oposição e pregavam uma insurreição contra o governo federal. Segundo Virgílio de Melo Franco, em Outubro, 1930, Lusardo, em conversa com ele no dia seguinte à entrevista que Borges de Medeiros concedeu reconhecendo a legitimidade da vitória da chapa situacionista, terá afirmado que "o Rio Grande do Sul estava disposto a enveredar pelo caminho da revolução, uma vez que Minas e Paraíba se dispusessem a acompanhá-lo".

Na revolução de 1930 - De volta ao Rio de Janeiro, em maio de 1930, Lusardo precisou submeter-se a uma intervenção cirúrgica, posteriormente recuperando-se em Uruguaiana, onde encarregou-se do trabalho de aliciamento das guarnições militares dessa cidade e das vizinhas, mantendo, também, contatos com oficiais revolucionários lotados no Sul, como João Alberto Lins de Barros, Osvaldo Cordeiro de Farias e Newton Estillac Leal. Marcada a data da insurreição para o dia 3 de outubro pelo comando supremo revolucionário, no qual se destacava Getúlio Vargas, Lusardo detalhou o plano militar para as operações na fronteira, responsabilizando-se pelo comando do destacamento de Uruguaiana, além de unidades de Itaqui e Quarai. Com ele alinharam-se os principais chefes libertadores da Revolução de 1923, à exceção de Honório Lemes, que faleceu no dia 30 de setembro.
 
Iniciada a insurreição em Porto alegre, Uruguaiana foi tomada tranqüilamente por uma força composta de cerca de três mil homens civis e militares. Lusardo, investido no posto de coronel por Pedro Aurélio de Góis Monteiro, comandante militar geral das forças revolucionárias, dirigiu o levante. No dia seguinte, atravessou a fronteira e foi a Paso de los Libres, na Argentina, buscar o general Isidoro Dias Lopes, a quem conduziu à capital gaúcha para encontrar-se com Vargas. Nos dias que se seguiram, a revolução foi vitoriosa na maioria dos estados.
 
Em meados de outubro, na região Sudeste, restavam em mãos do governo apenas o Rio e São Paulo. Um destacamento comandado por Lusardo, que foi batizado com seu nome, foi incumbido de seguir para a fronteira do Paraná com São Paulo, onde, na localidade de Itararé, preparava-se o confronto decisivo com as forças governistas, chefiadas pelo coronel Antônio Pais de Andrade e compostas de cerca de 3.200 soldados da Força Pública paulista e do Exército. O ataque dos revoltosos estava marcado para o dia 25 e as operações foram distribuídas entre os destacamentos Baptista Lusardo, Flores da Cunha, Silva Júnior e Alexínio Bittencourt, sob o comando geral de Miguel Costa. O choque, entretanto, não chegou a ocorrer, pois no dia 24, pouco antes da hora prevista, chegou ao acampamento revolucionário a notícia da deposição de Washington Luís por uma junta pacificadora, formada pelos generais Augusto Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto e pelo almirante Isaías de Noronha. Informado da queda do presidente, o coronel Pais de Andrade concordou em render-se. Mal atravessara a fronteira com São Paulo, Lusardo recebeu um chamado de Góis Monteiro para que se dirigisse imediatamente ao Distrito Federal, transferindo a outro o comando de seu destacamento. No Rio de Janeiro, foi convidado a assumir a chefia de polícia do Distrito Federal em substituição a Bertoldo Klinger, que a ocupou durante o governo da junta provisória. Lusardo tomou posse em 4 de novembro, no dia seguinte ao da transferência do poder ao novo Governo Provisório, presidido por Getúlio Vargas. Pouco depois, no Rio Grande do Sul, Flores da Cunha era nomeado interventor.

Na chefia de polícia do Distrito Federal (Rio de Janeiro) - Imediatamente, Lusardo iniciou a renovação da chefia de polícia. Recompôs o quadro de delegados auxiliares, mantendo da administração anterior apenas um e nomeando Joaquim Pedro Salgado Filho para a Delegacia de Ordem Política e Social. Dos 31 delegados distritais em atividade, muitos foram exonerados após visitas inesperadas de Lusardo e Salgado Filho às delegacias, sob a acusação de prática de violência ou outras irregularidades. Lusardo adotou medidas destinadas a reestruturar o serviço policial, organizando a Comissão de Reforma da Polícia, para a qual nomeou Afrânio Peixoto, Evaristo de Morais, Esmeraldino Bandeira e Melquíades de Sá Freire. O trabalho dessa comissão resultou num projeto de reforma-modelo que chegou a ser entregue e aprovado pelo ministro da Justiça, mas não foi implementado por força de injunções políticas posteriores. Outra medida significativa foi a reorganização do Gabinete de Identificação, para o qual Lusardo convidou e designou seu ex-colega da Faculdade de Medicina, Leonídio Ribeiro, que instalou um laboratório de Antropologia Criminal com uma equipe de especialistas nacionais e estrangeiros, obtendo reconhecimento e o Prêmio Lombroso de 1933. No início de 1931, por ordem do Poder Central, Lusardo adotou várias medidas anticomunistas, como a proibição da realização da Marcha da Fome e de um comício, ambos organizados pelo PCB, radicalizando diversas outras ações, especialmente contra este partido.
 
Em novembro de 1931, o PL e o PRR, através de Borges de Medeiros, Flores da Cunha e Raul Pilla, declararam-se contrários ao prolongamento do poder ditatorial do governo Vargas, decidindo iniciar um movimento de solidariedade aos setores políticos paulistas que estavam em crescente oposição ao governo federal e reivindicavam a constitucionalização do país. A nomeação do tenente João Alberto para interventor em São Paulo, logo após a revolução, significara a marginalização do segmento da oligarquia política local que havia participado da revolução, em especial do PD. Esse processo, que se acirrara progressivamente ao longo de 1931-1932, foi marcado pela oposição entre as correntes políticas tradicionais no estado, de um lado, e as forças tenentistas e o governo federal que as apoiava, de outro. Em março de 1931, Lusardo e Assis Brasil conseguiram que os líderes do PD sustassem a publicação de um documento de ruptura com João Alberto. No entanto, o desencadeamento da campanha repressiva contra os democráticos paulistas, com a prisão de vários dos seus líderes, tornara inevitável a publicação do manifesto em abril de 1931. O empastelamento do Diário Carioca, em fevereiro de 1932, por elementos ligados ao movimento tenentista, radicalizou o conflito da oposição com o governo federal.
 
O ministro da Justiça, Maurício Cardoso e Lusardo, como chefe de polícia, iniciaram as investigações comprovando fatos e nomes, mas Vargas hesitava em punir os responsáveis. Descrentes da possibilidade de êxito do inquérito, os dois, acompanhados de João Neves da Fontoura, consultor jurídico do Banco do Brasil, Assis Brasil, ministro da Agricultura, e Lindolfo Collor, ministro do Trabalho, Indústria e Comércio, exoneraram-se dos seus postos no governo em março e retornaram ao Rio Grande do Sul, engajando-se na campanha pela reconstitucionalização do país. Em junho, Lusardo, Pilla, João Neves e Collor assinaram um manifesto reafirmando sua solidariedade aos paulistas. A Frente Única Gaúcha (FUG) via na luta armada a única maneira de garantir a autonomia do governo de São Paulo.
 
Na Revolução de 1932 (movimento constitucionalista) - Finalmente, em julho de 1932, o conflito entre os constitucionalistas e o Governo Provisório chegou à luta armada, com a insurreição deflagrada em São Paulo pelas forças comandadas pelo general Bertoldo Klinger. No Rio Grande do Sul, não houve consenso em relação à participação na luta armada. Flores da Cunha, à frente de uma parte do PRR, manteve-se fiel a Vargas. Assis Brasil, por seu turno, temia que a luta viesse a servir apenas aos inimigos da Revolução de 1930. Batista Lusardo tentou um levante em Vacaria, iniciando a mobilização de voluntários para marchar sobre outras cidades. Era vital para o sucesso da sua ação a adesão de Borges de Medeiros, a qual, não se concretizando, frustrou o levante. Diante da ausência de apoio efetivo e cercado pelas tropas de Flores da Cunha, Lusardo aceitou um acordo, depondo as armas em troca da concessão de liberdade vigiada em Porto Alegre.
 
Lusardo, no entanto, não encerrou atividades. No dia 5 de agosto, disfarçado, deixou Porto Alegre e juntou-se a Borges de Medeiros e Raul Pilla, rumando para Santa Maria e São Gabriel, onde conseguiu recrutar cerca de 200 homens. Em fins de agosto, Lusardo, Marcial Terra, Lindolfo Collor e Glicério Alves tentaram conflagrar Santa Maria, na intenção de formar um governo provisório, mas não tiveram sucesso. No início do mês seguinte, os grupos de Marcial Terra, Turíbio Gomes, Collor e Pilla depuseram as armas e seguiram para a Argentina. Lusardo e Borges de Medeiros, à frente de duas centenas de homens, ainda permaneceram no Rio Grande do Sul, travando violento combate no dia 20 de setembro, em São Gabriel, conseguindo dispersar as forças governistas. Neste mesmo dia acamparam na localidade de Cerro Alegre, onde foram envolvidos de surpresa pelas tropas de Flores da Cunha e todo o estado-maior revolucionário foi preso, com exceção de Lusardo, que conseguiu fugir para o Uruguai. Houve ainda algumas tentativas de levante em unidades militares, prontamente sufocadas. Terminava, assim, a tentativa de apoio gaúcho aos revolucionários paulistas que, derrotados, acabariam por assinar o armistício com o governo federal no dia 2 de outubro de 1932.
 
Ainda no exílio, Lusardo procurou contribuir para a reativação do movimento antivarguista. O governo federal, contudo, tomou a iniciativa de preparar a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte, convocando eleições para maio de 1933. No Rio Grande do Sul, a profunda divisão produzida no interior do PL e do PRR pela luta armada de 1932 levou Flores da Cunha a formar o Partido Republicano Liberal (PRL), após uma convenção de prefeitos, chefes dos corpos provisórios e dissidentes republicanos e libertadores. Realizadas as eleições para a Constituinte, o PRL elegeu a esmagadora maioria dos deputados gaúchos.
 
Na Câmara Federal: da oposição ao apoio a Vargas - Em janeiro de 1934, Vargas decreta anistia e os exilados retornaram ao Brasil. Lusardo chegou a Uruguaiana e em outubro candidatou-se, e foi eleito deputado federal, com a expressiva votação de 80 mil votos. Durante os trabalhos da Constituinte estadual, tanto a FUG quanto Flores da Cunha iniciaram um movimento de pacificação política do estado e as negociações evoluíram no sentido da implantação de um governo parlamentarista baseado em fórmula elaborada por Raul Pilla e pelo jurista José Maria dos Santos, mas esbarraram na hesitação de muitos republicanos e libertadores em apoiar Flores da Cunha. Finalmente, em janeiro de 1935, a FUG e o PRL firmaram um acordo estabelecendo um governo misto, o chamado modus vivendi gaúcho. Flores da Cunha aceitava várias reivindicações da FUG e esta, em contrapartida, cessava a oposição e concordava em assumir duas secretarias: a da Agricultura, entregue a Raul Pilla, e a da Fazenda, a Lindolfo Collor. Com isto, Lusardo assumiu a presidência do Partido Libertador. Até fins de 1935, Lusardo pautou seus pronunciamentos em forte oposição a Vargas, a quem tratava como "responsável pelo desgoverno do país". No início de 1936, com a abertura dos debates acerca da sucessão presidencial, prevista para 1938, Vargas, ainda sem candidato oficial, procurou o apoio da FUG, na luta que começava a travar com o governador Flores da Cunha, que tentava influir no processo sucessório, ambicionando, senão candidatar-se, indicar um nome com possibilidade de vitória. A FUG acabou por dividir-se em relação a este conflito. Lusardo, acompanhando a maioria dos libertadores e republicanos, acabou por retirar seu apoio a Flores, enquanto um grupo comunitário procurava sustentá-lo, prevendo a possibilidade de um golpe. Dentro do próprio PRL, abriu-se uma dissidência que se colocou em oposição ao governador.
 
Entre os opositores de Vargas, firmou-se a candidatura de Armando de Sales Oliveira. Em maio de 1937, oficializou-se a candidatura de José Américo de Almeida, apoiada pelo governo federal. Lusardo, já identificado com a política situacionista, foi indicado por Vargas para presidir o comitê de organização da campanha eleitoral de José Américo. Alem disso, na condição de prestigiado líder da Frente Única Gaúcha (FUG), apoiou a política de Vargas de enfraquecimento de Flores da Cunha, aprovando diversas medidas, entre as quais a nomeação de um oficial hostil ao governador, o general Manuel Daltro Filho, para o comando da 3ª. Região Militar, a dissolução dos corpos provisórios, milícias auxiliares da Brigada Militar gaúcha, e a própria federalização da Brigada, pelo decreto de 14 de outubro de 1937, que colocou os seus efetivos à disposição do Exército. Finalmente, Flores da Cunha não resistiu às pressões e renunciou no dia 16, buscando o exílio no Uruguai. O governo federal interveio no estado, nomeando o general Daltro Filho para o governo, o qual imediatamente procurou o apoio da FUG, oferecendo em troca, a pacificação política do estado, garantia aos direitos individuais e a participação dos partidos oposicionistas na nova administração. A proposta foi aceita por maioria.
 
Segundo depoimento de Lusardo a Glauco Carneiro, Lusardo, nessa época, visitou o ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra, em companhia de José Américo de Almeida, sendo informado de que Vargas pretendia interromper o processo eleitoral. No início de novembro, Lusardo partiu para Porto Alegre, incumbido de transmitir instruções de Vargas anunciando a deflagração de um golpe no dia 15 daquele mês. De fato, forças policiais e militares cercaram na madrugada do dia 10 a Câmara e o Senado, que foram dissolvidas por decreto de Vargas. Dessa forma, Lusardo perdeu seu mandato de deputado federal. Nesse mesmo dia, foi promulgada nova Constituição que formalizava a instalação do regime do Estado Novo.
 
Embaixador no Uruguai - Em dezembro, novo decreto de Vargas dissolveu todos os partidos políticos. Nesse mesmo mês, Lusardo foi designado embaixador no Uruguai, em substituição a Lucílio da Cunha Bueno, acusado por Vargas de manter contatos com Flores da Cunha, asilado naquele país. Em pouco tempo, Lusardo travou boas relações pessoais com o ditador uruguaio Gabriel Terra, prolongadas depois com o seu sucessor, general Alfredo Balcomir. Conseguindo que o governo uruguaio determinasse um regime de liberdade vigiada para Flores da Cunha em Montevideo, organizou um dispositivo para vigiá-lo. Suspeito de possuir ligação com os integralistas e nazistas e de manter contato com os comunistas, Flores foi de tal maneira cerceado em seus movimentos que acabou retornando ao Brasil em 1942, sendo preso na fronteira. Lusardo controlou também outros refugiados brasileiros no Uruguai, de orientações políticas diversas, como Armando de Sales Oliveira, Nestor Contreiras Rodrigues e outros.
 
No campo diplomático, Lusardo atuou no sentido de acelerar a aproximação entre os dois países. Logo que chegou a Montevideo, divulgou amplamente um plano de ação voltado não apenas para o incremento das relações comerciais, como para uma vinculação mais estreita na atuação internacional. Durante sua gestão, instalou-se em Montevideo uma agência do Banco do Brasil, fez-se o acordo postal, telegráfico-eletrônico, instalou-se o serviço de trem internacional ligando diretamente Montevideo a São Paulo e estenderam-se à capital uruguaia as linhas da Varig. Foi também iniciativa sua a organização da Conferência de Ministros da Agricultura, que reuniu em Montevideo, em 1939, representantes de quatro países da costa atlântica sul-americana, resultando em concessões comerciais recíprocas. Em novembro desse mesmo ano, Lusardo promoveu uma exposição do livro brasileiro, que deu origem à criação do Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro. Em 1941, expressou o apoio brasileiro ao ponto de vista do governo uruguaio no sentido de que, para a manutenção da integridade territorial das nações americanas, estas, em caso de guerra com países de outro continente, não deveriam ser tratadas como beligerantes.
 
Às vésperas da instalação da III Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores das Repúblicas Americanas, que se realizaria no Rio de Janeiro, em janeiro de 1942, Lusardo precisou enfrentar a ofensiva diplomática da Argentina, empenhada em formar um bloco econômico que uns consideravam neutralista e outros favorável às potências do Eixo. Em Buenos Aires, os argentinos promoveram um encontro dos chanceleres da Bolívia, Uruguai, Paraguai e Chile, mas esses países não aceitaram a proposta de se colocarem em oposição aos Estados Unidos. Lusardo manteve contato com os ministros pressionados pelos argentinos e viajou ao Rio de Janeiro para colocar o governo a par da estratégia argentina. No último dia da III Reunião, o Brasil e os demais países favoráveis aos Aliados conseguiram aprovar uma resolução que recomendava o rompimento de relações com os governos totalitários, recomendação atendida por todos os países do continente, com exceção da Argentina e do Chile. Ainda em 1942, no mês de agosto, o Brasil declarou guerra aos países do Eixo, depois de sucessivos ataques alemães a navios mercantes brasileiros. Em 1943, Lusardo substituiu interinamente o embaixador Mario Pimentel Brandão nas funções de delegado do Brasil junto à Comissão Consultiva de Emergência para a Defesa Política do Continente.
 
Embaixador na Argentina e deputado federal - Com o falecimento do embaixador brasileiro na Argentina, José de Paula Rodrigues Alves, em maio de 1944, o cargo ficou vago por um ano, até Lusardo ser indicado para exercê-lo, sendo substituído na embaixada no Uruguai por José Roberto de Macedo Soares. Em 29 de outubro, no entanto, Vargas foi deposto e Lusardo pediu exoneração, retornando a Uruguaiana, onde foi elemento importante na organização do Partido Social Democrático (PSD) no Rio Grande do Sul, em 1945. Juntamente com João Neves da Fontoura procurou influenciar Vargas para que apoiasse a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra à presidência da República nas eleições marcadas para dezembro. Indicado pelo PSD para representar a agremiação durante a campanha eleitoral, trabalhava, ao mesmo tempo, para eleger-se à Assembléia Nacional Constituinte, onde tomou posse em fevereiro de 1946. Em maio, porém, já no governo Dutra, licenciou-se, reassumindo a embaixada brasileira na Argentina. Travando intensas relações pessoais com o presidente argentino Juan Domingo Perón, recém-eleito para o cargo, depois de ter exercido a vice-presidência sob regime ditatorial em 1944. A oposição brasileira, capitaneada pela UDN, fazia cerrada campanha contra as relações de Lusardo com Perón, acusado de simpatizante do peronismo. Com o acordo político estabelecido em setembro de 1946 pelo presidente Dutra com a UDN, que resultou na composição de um ministério pluripartidário, Lusardo permaneceu pouco tempo em Buenos Aires, sendo exonerado em fevereiro de 1947.
 
A Assembléia Constituinte, uma vez promulgada a Constituição em setembro de 1946, havia-se transformado em Congresso ordinário. De volta ao Brasil, Lusardo reassumiu seu lugar na Câmara dos Deputados em março de 1947, mantendo discreta atuação parlamentar até junho de 1950. Nesse momento foi lançada a candidatura de Vargas à sucessão de Dutra com o apoio do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e do Partido Social Progressista (PSP). O PSP lançou o nome de Cristiano Machado, abrindo-se grave dissidência na agremiação, propensa, em conjunto, a apoiar Vargas. Engajado na ala pessedista dissidente, Lusardo revigorou então sua atuação no Parlamento em defesa de Vargas.
 
Construção da Ponte Internacional Brasil – Argentina - Foi marcante o trabalho de Lusardo em prol da construção da primeira Ponte Internacional Brasil-Argentina, sobre o rio Uruguai, entre Uruguaiana-RS (Brasil) e Paso de los Libres-Corrientes (Argentina). Suas articulações junto ao governo argentino e sua amizade com Perón foram decisivas para remover obstáculos em relação à construção da referida ponte. Não oficialmente, consta que uma de suas tarefas mais difíceis foi convencer Getúlio Vargas de que a ponte era estrategicamente mais importante para os interesses do país em Uruguaiana (terra natal de Lusardo) do que em São Borja (terra natal de Getúlio), por sua localização mais próxima a Buenos Aires e Montevideo, os dois maiores centros econômicos na época, no âmbito do Cone-Sul. A ponte foi inaugurada em 21 de maio de 1947 pelos presidentes Eurico Gaspar Dutra e Juan Domingo Perón, com a inesquecível presença de Evita. Esta ponte se constitui hoje em marco histórico e símbolo maior da primeira tentativa de integração física entre Brasil e Argentina.
 
Campanha de Vargas, embaixador na Argentina, Pacto ABC - A campanha eleitoral de Vargas iniciou-se em agosto de 1950 e Lusardo integrou a comitiva que, partindo do Rio Grande do Sul, percorreu São Paulo, Rio de Janeiro, e as regiões Norte, Nordeste e Centro do país, retornando ao estado natal do candidato. Vargas aguardou o resultado das eleições, realizadas em outubro, na Estância São Pedro, de propriedade de Lusardo. Declarado eleito, lá permaneceu até janeiro de 1951. Com o retorno de Vargas à presidência da República, Lusardo foi novamente indicado para a embaixada brasileira na Argentina, assumindo o cargo em agosto de 1951. Esse novo período na Argentina foi marcado pelas injunções resultantes do aprofundamento de sua amizade com Perón, que por um lado buscava conquistar o apoio do movimento sindical argentino, um dos mais fortes do continente e, por outro lado, tentava a formação de um bloco econômico entre os países do Cone-Sul. O desenrolar deste fato (PACTO ABC), será tratado mais adiante no artigo denominado LUSARDO E AS RAÍZES DO MERCOSUL, de autoria de Paulo Renan de Almeida (vide).
 
Presidente de Caixa Econômica Federal, suicídio de Vargas - Lusardo foi nomeado presidente da Caixa Econômica Federal em julho de 1954, em meio à grave crise política gerada pela campanha que a oposição movia contra Vargas, que agravou-se substancialmente com o atentado da rua Toneleros, ocorrido no Rio de Janeiro no dia 5 de agosto, visando o líder udenista Carlos Lacerda e que resultou na morte do major-aviador Rubens Vaz. As investigações indicaram a ligação dos assassinos com a guarda pessoal do presidente, o que intensificou a campanha contra Vargas, envolvendo, agora, importantes setores militares. Vargas era pressionado para que renunciasse ou se licenciasse. De Lusardo, recebeu a sugestão de retirar-se para São Paulo, onde o comandante da 2ª. RM, general Newton Estillac Leal, o apoiaria, até que terminasse o inquérito. No dia 24, contudo, Getúlio Vargas suicidou-se. Lusardo foi exonerado da presidência da Caixa Econômica Federal pelo sucessor de Vargas, o vice-presidente João Café Filho, que o designou para a direção da Carteira de Consignações do órgão, onde permaneceu até julho de 1959.
 
Eleito Juscelino Kubitschek para o período presidencial de 1956 a 1961, a oposição tentou invalidar o resultado do pleito. Em 11 de novembro de 1955, o general Henrique Teixeira Lott, ministro da Guerra demissionário, liderou um movimento militar destinado, segundo seus promotores, a barrar uma conspiração em preparo no governo e assegurar a posse do presidente eleito. O movimento provocou o impedimento dos presidentes da República Carlos Luz, em exercício, e Café filho, licenciado, empossando na chefia da nação o vice-presidente do Senado, Nereu Ramos.
 
Afastamento da política, apoio ao Movimento pela Legalidade, missão cumprida - Aberta a campanha eleitoral para a sucessão de Juscelino Kubitschek, Lusardo presidiu o comitê parlamentar do marechal Lott, candidato do PSD-PTB. Realizadas as eleições, em outubro de 1960, entretanto, foi eleito Jânio Quadros, derrota que marcou a retirada de Lusardo das atividades político-partidárias, passando a dedicar-se exclusivamente aos seus negócios de pecuária bovina em suas estâncias, que se estendiam pelas duas margens da fronteira Brasil-Uruguai. Lusardo só voltou novamente a manifestar-se publicamente em relação à política nacional apenas quando da tentativa de impedimento da posse de João Goulart após a renúncia de Jânio, em agosto de 1961, quando integrou-se ao "Movimento pela Legalidade". Nessa ocasião, acompanhado por seu filho Luís Alberto, uniu-se às forças civis e militares que apoiavam a posse de Goulart e guarneciam a sede do governo gaúcho, proclamado "o quartel-general da legalidade". Debelada a crise depois que o Congresso aprovou a emenda parlamentarista em setembro de 1961, Lusardo e o filho retornaram a Uruguaiana. Lusardo estava com 70 anos e acreditava que já havia cumprido a sua parte na missão que se havia incumbido : lutar por um mundo melhor para todos.


* Manoel Bogado, ativista cultural e consultor para Assuntos do Mercosul e Integração da América Latina